A águia

A águia negra, num vôo, de repenteFura o céu, desprendida da montanha,E parece levar em feixe ardenteLuz, que às garras metálicas apanha.

Afronta o sol, provoca-o frente a frente,Deixa as nuvens atrás, remonta em sanha...E volta irada, triste, e lentamente,Por ver tão longe a luminosa aranha.

Liso, e em fogo o areal, como um espelhoAmplo, se estende ao seu olhar vermelho...Vermelho, como a espuma dos vulcões:

Desce; e por desenfado ao bico enorme,Enquanto um grupo de gazelas dorme,Folga arrancando os olhos aos leões.

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