Caim (Luís Delfino)
A lágrima protesta, o sangue em coalhos grita...Não... não irás assim em triunfal parada:Passarás entre nós como um ladrão de estrada,Será teu Panteão ridícula guarita.
A traição, toda em luz de auréola bendita,Chorará de vergonha ao ver-te, horrorizada:E a baixeza, e a perfídia, e a infâmia interrogadaContra ti dirá só um nome: — Israelita...
Pensas que hás de mentir à história, miserando?Quem ainda a enganou? como a enganou? e quando?Crês também iludir a morte, e não ter fim?
O silêncio tem voz, milhões de olhos a treva...E a teu pai ser Adão, e a tua mãe ser Eva,O teu nome, assassino, o teu nome é Caim...
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