João Valjean e Deus

Quando a nuvem, com que os olhos cerra,O anjo da morte lha deitou num beijo,E o poeta enfim deixou de ser da terra,Houve no céu então um só desejo:

Queriam todos vir, como em cortejo,Buscá-lo: era um barulho, era uma guerra!...Deus porém asas cândidas descerra,E diz: — Vou eu: já para abaixo adejo... —

Mas um, que o olhar humildemente fita,Cheio de noite e estrelas da manhã,Na imaculada luz... — que lhe permita...

(Com o olhar só, suplicava aquela dita...)Deus tornou: — Pois vai tu, vai, João Valjean... -Pondo mais sóis na abóbada infinita...

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