Anarda ameaçando-lhe a morte
Ameaças o morrer:Como morte podes dar,Se estou morto de um penar,Se estou morto de um querer?
Mas é tal essa fereza,Que quer dar a um fino amorŨa morte com rigor,Outra morte co'a beleza.
E com razão prevenidaQuis duplicar esta sorte,Que a pena daquele é morte,Que a glória daquela é vida.
Da morte já me contento,Se por nojo de mal tantoDerrames um belo pranto,Formes um doce lamento.
Tornarás meu peito ativoCom tão divino conforto,Se ao rigor da Parca morto,Por glória do pranto vivo.
De teu rigor aplaudidasSerão piedosas grandezas;Por que te armes mais ferezas,Por que te entregue mais vidas.
Quando teu desdém se alista,Impedes o golpe atroz;Pois quando matas co'a voz,Alentas então co'a vista.
Confunde pois a nocivaImpiedade, que te exorta,A um tempo ũa vida morta,A um tempo ũa morte viva.
De teu rigor os abrolhosSe rompem da vida os laços,Hei de morrer em teus braços,Hei de enterrar-me em teus olhos.
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