A Uma amiga
A Esperança Vol. I
O' quanto s'empenhou a naturezaEm formar-te a mais bella entre as formosas!Dando-te uma alma pura,Uns olhos d'encantar! Que gentileza!Que niveas, rubras faces tão mimosas!Que rosto de candura!
E como sem vaidade te apresentas,Nem teu espelho diz quanto és formoza!Se tu és tão modesta!Do coração os dotes só ostentas,P'ra ti só a virtude é valiosa,Mostras-te sempre honesta!
E quem digno será de possuir-teN'um mundo seductor, perverso, ingratoE fruir tua mão?!Mas ao vêr-te, ninguem póde fugir-teSim que na idea leve o teu retratoE d'amor a paixão!..
Embora! Deixa-os amar-te,Não te illuda o seu amor.Que só tem penas a dar-te,Suspiros, saudade e dôr!..Deixa livre o coração,Deixa-o folgar sem paixão;Goza a tua mocidadeComo os anjos, sempre puraE volverás com venturaD'aqui para a eternidade;Mas se nasceste p'ra amar;Áma do céo uma estrella,Aquella que mais brilhar,Ou ama a flor mais bellaQue no val desabrochou;Ama a brisa que agitouOs teus cabellos douradosE ama a lua que no lágoDeixa com encanto magoFulgir raios prateados.
Ama tudo é donzella e cautelosaEvita dos mortaes o amor profano,O amor de seducção;Sê como aérea fada vaporósaQue não ousa tocar um ente humano!...Virgem, d'est'arte entrega o coração!
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