Tatu
Eu vim p'ra contar a históriaDum — tatu — que já morreu,Passando muitos trabalhosPor este mundo de Deus.
O tatu foi muito ativoP'ra sua vida buscar;Batia casco na estrada,Mas nunca pôde ajuntar!
Ora pois, todos escutemDo tatu a narração,E se houver quem saiba mais,Entre também na função.
Ande a roda,o tatu é teu;voltinha no meio,o tatu é meu! —
O tatu foi homem pobre,Que apenas teve de seuUm balandrau muito velhoQue o defunto pai lhe deu!
O tatu é bicho manso,Nunca mordeu a ninguémSó deu uma dentadinhaNa perninha do meu bem.
O tatu é bicho mansoNão pode morder ninguém;Inda que queira morder.O tatu dentes não tem.
O tatu saiu do matoVestidinho, preparado;Parecia um capitão.De camisa de babado!...
O tatu saiu do matoProcurando mantimento!...Caiu numa cachorradaQue o levou cortando vento!...
O tatu me foi à roçaToda a roça me comeu...Plante roça quem quiser,Que o tatu quero ser eu!
O tatu é bicho chato,Rasteiro, toca no chão;Inda mais rasteiro ficaQuando vai roubar feijão.
O tatu de rabo moleFaz guisado sem gordura;Ele é feio mas gostoso,O que lhe falta é compostura.
Depois de muito corridoNos pagos em que nasceuO tatu alçou o poncho,E p'r'outras bandas se moveu.
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