Amaritudo

Só por ti, astro ainda e sempre oculto,Sombra do Amor e sonho da Verdade,Divago eu pelo mundo e em anciedadeMeu próprio coração em mim sepulto.

De templo em templo, em vão, levo o meu culto,Levo as flores d'uma íntima piedade.Vejo os votos da minha mocidadeReceberem somente escárneo e insulto.

À beira do caminho me assentei...Escutarei passar o agreste vento,Exclamando: assim passe quando amei! —

Oh minh'alma, que creste na virtude!O que será velhice e desalento,Se isto se chama aurora e juventude?

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