A uma mulher
Primaveras romanticas (1872) — Poesias diversas
Para tristezas, para dôr nasceste.Podia a sorte pôr-te o berço estreitoN’algum palacio, e ao pé de regio leito,Em vez d’este areal onde cresceste:
Podia abrir-te as flôres — com que vesteAs ricas e as felizes — n’esse peito;Fazer-te... o que a Fortuna ha sempre feito...Terias sempre a sorte que tiveste!
Tinhas de ser assim... Teus olhos fitos,Que não são d’este mundo e onde eu leioUns mysterios tão tristes e infinitos,
Tua voz rara, e esse ar vago e esquecido,Tudo me diz a mim, e assim o creio,Que para isto só tinhas nascido!
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