A Corveta
Translated from French by Delfim Guimarães
Flores do Mal
Eu quero descrever, preguiçosa beldade,Os peregrinos dons da tua mocidade;Esse dotes soberanosEm que se alia a infância ao fulgor dos trinta anos.Quando passas, movendo as saias, pelo asfalto,Lembras uma corveta a singrar no mar alto,As velas pandas ao vento,Num rítemo suave, enlanguescido e lento.
Sobre o pescoço forte e cheio, donairosa,A cabeça gentil meneias, radiosa;Com majestade e bonança,Prossegues tua marcha, imponente creança.Eu quero descrever, preguiçosa beldade,Os peregrinos dons da tua mocidade;Esses dotes soberanosEm que se alia a infância ao fulgor dos trinta anos.Teu colo, a palpitar, soerguendo o vestido,Teu colo triunfal lembra um movel polidoDe abaulados gavetõesComo argênteos broqueis, despedindo clarões;Provocantes broqueis com bicos côr de rosa!Armário encantador, despensa primorosaCom manjares escolhidos,E vinhos de embriagar a alma e os sentidos!Quando passas, movendo as saias, pelo asfalto,Lembras uma corveta a singrar no mar alto,As velas pandas ao ventoN’um rítemo suave, enlanguescido, e lento.As tuas pernas, sob as saias que as apertam,Castigam as paixões obscuras que despertam,Como duas feiticeirasMexendo um filtro negro em fundas cafeteiras.
Teus braços, que não teem temor aos mais valentes,Possuem o condão das gibolas luzentes;Podem abraçar o eleito,E, apertando-o com força, imprimi-lo ao teu peito.Sobre o pescoço forte e cheio, donairosa,A cabeça gentil meneias, radiosa;Com majestade e bonançaProssegues tua marcha, imponente creança!
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