A Musa Enferma
Translated from French by Delfim Guimarães
Flores do Mal
Ó minha Musa, então! que tens tu, meu amor?Que descòrada estás! No teu olhar sombrioPassam fulgurações de loucura e terror;Percorre-te a epiderme em fogo um suor frio.Esverdeado gnomo, ou duende tentador,Em teu corpo infiltrou, acaso, um amavio?Foi algum sonho mau, visão cheia de horror,Que assim te magoou o teu olhar macio?
Eu quisera que tu, saudavel e contente,Só nobres ideaes abrigasses na mente,E que o sangue cristão, ritmado, te pulsaraComo do silabário antigo os sons variados,Onde reinam, a par, os deuses decantados:Febo — pae das canções, e Pan —— senhor da seara!
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