A Vampiro
Translated from French by Delfim Guimarães
Flores do Mal
Tu, que minh’alma invadisteComo o ferro d’um punhal;Que em meu peito construisteO teu reduto infernal,Onde tens o leito armado,E onde o teu desdem passeia,— Mulher a quem ’stou ligadoComo um grilheta á cadeia,
Como um beberrão ao vinho,Como o verme á podridão,— Vampiro, monstro daninho,Dou-te a minha maldição!Pedi ao gládio implacavelMe ajudasse a libertar,E ao veneno abominavelTambem ousei implorar...Mas de ambos fui repelido!Negaram-me protecção,Dizendo: — «É tempo perdido«Arrancar-te á escravidão;«Se algum de nós a matava,«Ó imbecil I tu não vês«Que teus beijos como a lava«Lhe davam vida outra vez!»
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