Canção da Sésta

Translated from French by Delfim Guimarães

Flores do Mal

Embora no teu olharNão brilhe a calma das santas,Não deixarei de te amar,Feiticeira que me encantas,Ó volúvel, eu te queroCom uma ardente paixão,Como um devoto sinceroÁ sua religião.

Tua basta cabeleiraÉ uma selva olorosa;A cabeça prazenteira:Esfinge misteriosa;Tua carne palpitanteÉ um turib’lo permanente;Minha noite deslumbrante,Ninfa tenebrosa e quente!Tu ressuscitas um mortoDo teu olhar com a ardência;Não ha filtro nem confortoQue valha a tua indolência!Teus flancos são orgulhososDas tuas graças trigueiras;Os teus modos langorososFascinam as travesseiras.A’s vezes, para aplacaresA raiva que te flagela,Dás-me, preciosos manjares,Quanto beijo e mordedela!Dilaceras.me, querida,Maldosa, a rir, a brincar,E p’ra curar a feridaDás-me a luz d’um meigo olhar.

Sob os teus pés pequeninos,Sob os teus chapins risonhos,Eu coloco os meus destinos,O meu talento, os meus sonhos,E a minh’alma, que salvasteFurtando a á treva funérea!Luz viva que despontasteNa minha fria Sibéria!

Comments

Loading comments…