Moesta et errabunda

Translated from French by Delfim Guimarães

Flores do Mal

Diz-me, o teu coração não tem vôos, Donata?¿Não se eleva do mar d’esta imunda cidade,Buscando um outro oceano onde a luz se desata,Clara, profunda e azul como é a virgindade?Diz-me, o teu coração não tem vôos, Donata?O mar, o vasto mar, embala a nossa dor!¿Quem demónio dotou o mar, cantor de fama,Que acompanha o orfeão do vento roncador,Com o sublime «ó-ó» da nossa velha ama?O mar, o vasto mar, embala a nossa dor!

Transporta-me, vagão! conduze-me, fragata!Longe 1 longe d’aqui l d’esta vala de horrores!— ¿Não te sucedeu já, minha triste Donata,Dizer: – Longe do mal, d’este inferno de dores,«Transporta-me, vagão I conduze-me, fragata?»Que longe estás de nós, oásis perfumado,Clara região azul cheia de amor e paz,Onde tudo que existe inspira ser amado!Onde n’um doce enlevo a alma se compraz!Que longe estás de nós, oásis perfumado!Mas o verde jardim dos amor’s de creança,Os jogos, as canções, os beijos e os raminhos,As festas ao ar livre, a turbulenta dansa,O vinho em cangirões, discretos segredinhos...— Mas o verde jardim dos amor’s de creança,o éden sem egual dos prazeres furtivos,Onde é que se sumiu?’Stá na India ou na China?Podêmo-lo chamar com gritos aflitivos?Porventura ouvirá nossa voz argentinaO éden sem egual dos prazeres furtivos?

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