O Albatroz

Translated from French by Delfim Guimarães

Flores do Mal

Ás vezes, no alto mar, distrae-se a marinhagemNa caça do albatroz, ave enorme e voraz,Que segue pelo azul a embarcação em viagem,Num vôo triunfal, numa carreira audaz.Mas quando o albatroz se vê preso, estendidoNas táboas do convés, — pobre rei destronado!Que pena que ele faz, humilde e constrangido,As asas imperiais caidas para o lado!

Dominador do espaço, eis perdido o seu nimbo!Era grande e gentil, ei-lo grotesco verme!...Chega-lhe um ao bico o fogo do cachimbo,Mutila um outro a pata ao voador inerme.O Poeta é semelhante a essa águia marinhaQue desdenha da seta, e afronta os vendavaes;Exilado na terra, entre a plebe escarninha,Não o deixam andar as asas colossaes!

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