O Homem e o Mar
Translated from French by Delfim Guimarães
Flores do Mal
Homem livre, o oceano é um espelho fulgenteQue tu sempre has de amar. No seu dorso agitado,Como em puro cristal, contemplas, retratado,Teu íntimo sentir, teu coração ardente.Góstas de te banhar na tua própria imagem.Dás-lhe beijos até, e, ás vezes, teus gemidosNem sentes, ao escutar os gritos doloridos,As queixas que ele diz em mística lingoagem.
Vós sois, ambos os dous, discretos, tenebrosos;Homem, ninguem sondou teus negros paroxismos,Ó mar, ninguem conhece os teus fundos abismos;Os segredos guardaes, avaros, receosos!E ha séculos mil, séc’los inumeraveis,Que os dous vos combateis n’uma luta selvagem,De tal modo gostaes da morte e da carnagem,Eternos lutador’s, ó Irmãos implacáveis!
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