O Monge Maldito
Translated from French by Delfim Guimarães
Flores do Mal
Os devotos paineis dos antigos conventos,Reproduzindo a santa imagem da Verdade,Davam certo conforto aos sóbrios monumentos,Tornavam menos fria aquela austeridade.Olhos fitos em Deus, nos santos mandamentos,Mais de um monge alcançou palma de santidade,Á Morte consagrando obras e pensamentos,Numa vida de paz, de labor, de humildade.
Minh’alma é um coval onde, monge maldito,Desde que existe o mundo, aborrecido, habito,Sem ter um só painel que possa contemplar...— Ó monge mandrião se quer’s viver, contente,Uma vida de paz, não sejas indolente;Calêja-me essas mãos, trabalha! vae cavar!
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