Toda Inteira

Translated from French by Delfim Guimarães

Flores do Mal

Hoje, na minha mansarda,Vi o demónio apar’cer,E, buscando perturbar.me,Dizer-me: — «Quero saber«Qual é, de todas as cousas«Que a tornam tam atraente,«— Adornos negros e róseos«Do seu corpo omnipotente,

«Que mais te agrada?» A minh’almaRespondeu logo a seguir:— «Tudo n’Ela são ditames,«Não tenho que distinguir.«Tudo me encanta e seduz«Na creatura formosa,«Como a Aurora: — deslumbrante,«Como a Noite: — bonançosa.«E a harmonia é tamanha,«Tam belas as proporções,«Que ao exame mais atento«Só se of’recem perfeições.«Ó metamorfose estranha«Que todo o meu ser resume!«Seu hálito é: — a melodia,«E a sua voz: — o perfume!»

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