Abrigo celeste

Estrela triste a refletir na lama,Raio de luz a cintilar na poeira,Tens a graça sutil e feiticeira,A doçura das curvas e da chama.

Do teu olhar um fluido se derramaDe tão suave, cândida maneiraQue és a sagrada pomba alvissareiraQue para o Amor toda aminh'alma chama.

Meu ser anseia por teu doce apoio,Nos outros seres só encontra joioMas só no teu todo o divino trigo.

Sou como um cego sem bordão de arrimoQue do teu ser, tateando, me aproximoComo de um céu de carinhoso abrigo.

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