Metamorfose

A Carlos Ferreira

O sol em fogo pelo ocaso explodeNesse estertor, que os crânios assoberba.Vivo, o clarão, nuns frocos exacerbaDos ideais a original nevrose.

Da natureza os anafis mouriscosAnte o cariz da atmosfera muda,Soam queixosos, numa nota aguda,Da luz que esvai-se aos derradeiros discos.

O pensamento que flameja e lutaNos ares rasga aprofundado sulco...A sombra desce nos lisins da gruta;

E a lua nova — a peregrina Onfale,Como em um plaustro luminoso, hiulco,Surge através dos pinheirais do vale.

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