Nerah
Nerah não brinca mais, não dança mais. — E agoraQue vão-se apropinquando os tempos invernosos,Nerah traz uns receios tímidos, nervosos,De quem teme mudar-se em noite, sendo aurora.
Seus sonhos de cristal, translúcidos, antigosSe vão embora, embora à vinda dos invernos,Seguindo em debandada os úmidos galernos —— lembrando um roto bando informe de mendigos.
Não canta o sabiá que triste na gaiola,Parece, com o olhar, pedir-lhe a casta esmolaDe um riso — aquela flor que esvai-se, branca e fria.
Em tudo a fina seta aguda de aflições!Na própria atmosfera um caos de interjeições!Em tudo uma mortalha, em tudo uma agonia.
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