Os Mortos
Ao menos junto dos mortos pode a genteCrer e esperar n’alguma suavidade:Crer no doce consolo da saudadeE esperar do descanso eternamente.
Junto aos mortos, por certo, a fé ardenteNão perde a sua viva claridade;Cantam as aves do céu na intimidadeDo coração o mais indiferente.
Os mortos dão-nos paz imensa à vida,Dão a lembrança vaga, indefinidaDos seus feitos gentis, nobres, altivos.
Nas lutas vãs do tenebroso mundoOs mortos são ainda o bem profundoQue nos faz esquecer o horror dos vivos.
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