Papoulas

A Oscar Rosas

Assim loura és mais formosaDo que se fosses trigueira:Corpo de eflúvios de rosaCom esbeltez de palmeira.

Vestida de cor da auroraLeve dos fluidos da graça,És uma estrela sonoraQue, em sonhos, pelo éter passe.

Resplandece em teu cabeloUm fulgor de sol dourado,Que só de senti-lo e vê-loFica tudo iluminado.

Do teu branco leque abertoQue lembra uma asa de garça,Aspiro um perfume incerto,Talvez a tua alma esparsa.

Num resplendor de madonaE altivez de corça ariscaSurges da luz entre a zonaCom quebrantos de odalisca.

Que venha o duque normandoDe castelos escocesesCom seu ar bizarro e brandoAmar-te os olhos ingleses.

E entre aromas e frescoresE revoadas de abelhas,Como num campo de floresQue esse olhar vibre centelhas.

Que cantem na tua bocaAs alegrias radiadas,Numa ideal rajada loucaDe vôos de passaradas.

Que como os astros no espaço,Teu encanto resplandeça...Com pelúcias no regaçoE asas de ave na cabeça.

E que os teus dois seios purosQue o amor fecundando beijaFiquem cheios e madurosCom dois bicos de cereja.

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