Sobre um túmulo
Torce-te aí na sepultura friaOnde passa rugindo o furacão,Seja-te o orvalho das manhãs negado,Soe em teu leito a voz da maldição!Teu castigo será gemer debaldeBuscando o sono que o sudário deixa,Ouvir nas trevas de uma noite horrendaDe errantes larvas a funérea queixa!Pese-te a terra qual um fardo imenso,Infecta podridão cubra teus olhos,Seque o salgueiro que sombreia a lousaE em seu lugar estendam-se os abrolhos!Roam-te o Ódio, — a maldição, — o olvido,E quando as turbas levantar-se um dia,— Aparências de Deus, — para afundar-seNo seio d'Ele, ardentes de alegria,Surdo sejas aos ecos da trombetaEm teu leito de pedra enregelada;Findem-se os mundos, e a existência tuaFria se apague na solidão do nada!
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