Mistério

Gosto de ti, ó chuva, nos beirados,Dizendo coisas que ninguém entende!Da tua cantilena se desprendeUm sonho de magia e de pecados.

Dos teus pálidos dedos delicadosUma alada canção palpita e ascende,Frases que a nossa boca não aprendeMurmúrios por caminhos desolados.

Pelo meu rosto branco, sempre frio,Fazes passar o lúgubre arrepioDas sensações estranhas, dolorosas...

Talvez um dia entenda o teu mistério...Quando, inerte, na paz do cemitério,O meu corpo matar a fome às rosas!

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