Sombra (Florbela Espanca)

De olheiras roxas, roxas, quase pretas,De olhos límpidos, doces, languescentes,Lagos em calma, pálidos, dormentesOnde se debruçassem violetas...

De mãos esguias, finas hastes quietas,Que o vento não baloiça em noites quentes...Nocturno de Chopin... risos dolentes...Versos tristes em sonhos de Poetas...

Beijo doce de aromas perturbantes...Rosal bendito que dá rosas... DantesEsta era Eu e Eu era a Idolatrada!...

Ah, cinzas mortas! Ah, luz que se apaga!Vou sendo, em ti, agora, a sombra vagaD’alguém que dobra a curva duma estrada...

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