A um artista
Marmores (1895)
Mergulha o teu olhar de fino coloristaNo azul; medita um pouco, e escreve; um nada quasi:Um trecho só de prosa, uma estrophe, uma phraseQue patenteie a mão de um requintado artista.
Escreve! Molha a penna, o leve estylo enrista!Pinta um canto de céo, uma nuvem de gazeSolta, brilhante ao sol; e que a alma se te vaseNa copia dessa luz que nos deslumbra a vista.
Escreve!... Um céo ostenta o matiz da celagemOnde erra o sol, moroso, entre vapores brancos,Irisando, ao de leve, o verde da paizagem...
Uma ave banha ao sol o esplendido plumacho...Num recanto de bosque, a lamber os barrancos,Espumeja em cachões uma cachoeira em baixo...
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