A florista
Marmores (1895) — Ballada
Suspensa ao braço a grávida corbelha,Segue a passo, tranquilla... O sol faisca...Os seus carminios labios de mouriscaSe abrem, sorrindo, numa flôr vermelha.
Deita á sombra de uma arvore. Uma abelhaZumbe em torno ao cabaz... Uma ave, arisca,Bem perto della pelo chão lambisca,Olhando-a, ás vezes, tremula, de esguelha...
Aos ouvidos lhe sôa um rumor brandoDe folhas... Pouco a pouco, um leve somnoLhe vae as grandes palpebras cerrando...
Cae-lhe de um pé o rustico tamanco...E assim descalça, mostra, em abandono,O vultinho de um pé macio e branco.
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