Inverno
Marmores (1895)
Outr’ora, quanta vida e amor nestas formosasRibas! Quão verde e fresca esta planicie, quando,Debatendo-se no ar, os passaros, em bando,O ar enchiam de sons e queixas mysteriosas!
Tudo era vida e amor. As arvores copiosasMexiam-se, de manso, ao resfolego brandoDa briza que passava em tudo derramandoO perfume subtil dos cravos e das rosas...
Mas veio o inverno; e vida e amor foram-se em breve.O ar se encheu de rumor e de uivos desolados...As arvores do campo, enroupadas de neve,
Sob o látego atroz da invernía que corta,São esqueletos que, de braços levantados,Vão pedindo soccorro á primavera morta.
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