Sonho africano

Marmores (1895)

Eil-o em sua choupana. A lampada, suspensaAo tecto, oscilla; a um canto, um velho e hervado fimbo.Entrando, porta dentro, o sol forma-lhe um nimboCôr de cinabrio em torno á carapinha densa.

Estira-se no chão... Tanta fadiga e doença!Espreguiça, boceja... O apagado cachimboNa bocca, nessa meia escuridão de limbo,Molle, semi-cerrando os dubios olhos, pensa...

Pensa na longe patria... As florestas gigantesSe estendem, sob o azul, onde, cheios de magua,Vivem negros pituns e enormes elephantes...

Calma em tudo. Dardeja o sol raios tranquillos...Desce um rio, a cantar... Coalham-se á tona d’agua,Em compacto apertão, os velhos crocodillos...

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