O Homem que Subiu em Aeroplano até a Lua

No tempo de Babyloniahá muitos anos atrazum homem todo gigantefalou um dia aos seus paisque tinha grande vontade,de correr a imensidade.nem que não voltasse mais.

Baratão era o seu nomepela historia conhecido,era um grande aventureiropor todo mundo corridode nada tinha receiop'ra tudo ele achava meio,nunca ficou entupido.

Ele tinha um oficinapor ser muito bem montada,fazia tudo no mundocada maquina enrascada !...ficava o povo tão bestavendo toda aquela festa,da oficina afamada !

O boeiro da oficinaera grosso e tão compridocomo a torre de Babelde ferro só construidoo motor era um danadocorria tão apressado,que só se ouvia o zunido,

Essa oficina faziaespada, lanças, couraçascada um cantão pavorosoque tinha mais de cem braças,um tiro desse canhãoderrubava um batalhão,nem que tivesse mil praças.

Uma vez foi Baratãoaos engenheiros e disse,que inventassem um motorque até á lua subisse :gritou a todos zangadoque o motor fosse inventado,nem que a cachola partisse.

Dentro de um mez inventou-seo motor de Baratão,depois de tudo arranjadoserviu de admiraçãotinha as azas p'ra subire não podia cairpois era forte a armação,

Era uma cousa horrorosaa tal maquina inventada,uma legua de comprida !depois que ficou armadatodo mundo veio verapenas para conhecera maravilha falada.

O motor tinha uma casade aço toda fornida,p'ra mais de mil corrupiostodos de prata batidatudo era fino e custosonum salão bem espaçoso,havia agua e comida

Tinha força p'ra levartodo o povo da cidade,foi muito bem construidomovido á eletricidadecorria só pensamentose faltasse mesmo o ventovoava sempre a vontade.

Baratão se despediude todo o povo e dizia,que dentro de uma semanalá na lua chegariatoda gente duvidavae que ele nunca chegava,mangando dele sorria.

Baratão vestiu-se todode um roupão de aço feito,mandou ver se o motorestava firme e direitoe disse ao maquinista :—apronte tudo, se vistaveja se isto tem geito.

Daí a pouco a sinêtadeu sinal para subir,o maquinista e o pilôtosabiam bem dirigiro povo estava ansiôsoe o bicho misteriôso,começava a se bulir.

Baratão mandou largare logo o bruto roncando,lá se vai pelas alturasjá pelas nuvens passandoo povo besta ficoue muito tempo passou,de Baratão se falando.

Já faziam oito diasque o aeroplano voava,estava perto da luae pouco tempo gastavaBaratão já estava molede tanto soprar no fole.para ver se assim respirava.

De repente um barulhãono aeroplano se ouviu,era uma aza do brutoque a manivela partiumas o pilôto depressafez o concerto na peça,o aeroplano seguiu.

Baratão chegou na luaa meia noite em pontosem dormir oito diasjá estava fraco e tontofoi dormir um bocadinhopara de manhã cêdinho,está dispôsto e bem pronto.

Quando foi de manhãsinhaeles não se levantaram,era um somno tão pesadoque nem na lua pensaramos habitantes de luaquando sairam para a rua,muito espantados ficaram.

Todo povo se juntoupara ver aquele troço,jogavam pedras, batiamfazendo grande alvoroçoque o pessoal do motorlevantou-se com terror,vendo aquele catrapoço.

Baratão e o pessoalnem sabiam a onde estavam,era um sono tão damnadonem do motor atinavamforam a porta e abrirame os habitantes que viram,no motor todos entravam

Imagine que chafurdofiseram com Baratão !. . .o pessoal do motorcorreu tudo em camisãoquando viu que esta genteem gritalhada estridente,carregava um páu na mão,

Baratão gritou a todosque fossem logo se armar,que os habitantes da luaqueriam lhe devorarficou tudo bem armado,cada um com seu machado,foi toda gente esperar.

Daí há pouco foi sangueque fez lagôa no chão,os habitantes da lualutavam sem coraçãomas tinha um mêdo damnado,do pessoal do machado,armado por Baratão.

O piloto e o maqninistacom a cabeça lascada,cairam logo sem sentidosdepois da guerra serradasó restava o capitãoajudando Baratão,numa coragem danada.

Com duas horas depoiso capitão cambaleia,caindo morto no chãomas Baratão não receiade muita força no braçofazia tudo em pedaço,puma luta horrenda e feia.

Findou-se a luta de noiteBaratão é vencedor,mais o povo enraivecidoarrebentou o motorBaratão de tão cançadocaiu no chão desmaiado,a gemer com muita dor.

Baratão quando tornouficou muito aperriado,vendo o seu aeroplanolá no canto esbandalhadoe de tanto imaginarcomo havia de voltar,ficou quase amalucado.

Estava tudo desertonão se ouvia um ruido,Baratão se decidiudepois de ter refletidode sair deste lugarpôz-se logo a caminhar,quass mole e mal comido.

Depois de longa viagemsem parar um só instante,Baratão foi dar em frentede um palacête importantemorava aí um Sultãocelebrava-se um festão,o aniversario de Amante.

Amante era uma princesaunica filha real!era tão linda e tão alvaque parecia um cristalcom quinze anos somenteseduziu toda gente,com seu riso sem igual.

Baratão se decidiua entrar no palacête,p'ra poder ter a licençase apresentou ao cadetaque o batalhão comandava,e o pelotão que formava,era armado de cacête.

O cadête subiu logopara o Sultão avisar,qua gente de outra naçãodesejava lhe falaro Sultão admirou-see disse fosse quem fosse,ordenasse para entrar.

Baratão todo garbosocom sua farda encarnada,com firmeza e rapidezatravessou a escadaa princesa quando o viumuita alegria sentiu,e ficou apaixonada.

Baratão entrou na salaonde estava o gran-Sultão,tocou a banda de musicahouve grande animaçãoforam para a mesa e jantaramos dois então discursaram,na maior satisfação.

Baratão a todos disseque da terra era habitante,na lua veio pararnum motor grande e possanteque o povo bravo quebrousem poder voltar ficou,pelas montanhas errante.

Ficaram todos surpresossem nem poderem falar,e pensaram ser mentiraque ele acabou de contarBaratão quando provoucom papeis que lhe mostrou,não quizeram duvidar.

O Sultão ofereceuum quarto p'ra Baratão,uma cama prateadacom um macio colchãotudo que ele precisavaroupas finas ele encontravae mais criado a prontidão.

Tanto dias se passassemcomo o Sultão se alegrava,mas cuntente e jovialdo que ele, Amante estavapois no jardim todo diamas o Sultão não sabia,com Baratão coversava.

O Sultão todos os diassaia p'ra passeiar,com Baratão pelos campospara tudo lhe mostrarmas o nosso Baratãoprestava pouca atenção,só na princesa a pensar.

Toda familia realGostava de Baratão,por saber que ele eraum homem de educaçãofazia todo aparatodispensando todo trato,merecido com razão.

Baratão ficava tristeporque amava a princesae não podia falar-lheassim com tanta afoitezasuspeitava que o Sultãolhe negasse a sua mão,por não ser da realeza.

Mas a princesa lhe disse:—não te vexes Baratãopois há um dia no ano,que meu pai faz concessãonão nega nada a ninguematé os presos tambemele concede o perdão.

É o dia de seus anosesse dia venturoso,daqui mais a na quatro mesesfique certo e esperançosose minha mão for pedida,ela será concedida,e tú serás meu espôso.

Baratão ficou contentee começou a esperar,esse dia desejadoque ele havia de dara mão da linda princesae assim com toda certezana realeza ia entrar.

Era, uma vida risonhaque Baratão dissipava,embora fosse escondidomas com Amante falavaela de noite ia a varandae ele fóra de outra banda,a noite inteira prosava.

Chegando os dias dos anosdos festejos do Sultão,para fazer o seu pedidoestava pronto o Baratãonuma sala reservadao Sultão fez a chamada,p'ra quem quizer concessão.

Baratão pediu licençaao Sultão para falar,um importante negociotinha com ele a trataro Sultão mandou que chegasse,p'ra bem perto e se sentasse,Baratão poz-se a narrar.

-— Gran-Sultão venho pedircom respeito e seatamentosem temer ser recusadovossa filha em casamentohá muito eu amo a princesap'ra ela não é surprezaeste meu sublime intento.

O Sultão muito contentaconcedeu-lhe este pedido,chamou logo a sua esposapara saber do ocorridodo casamento de Amanteficou tudo num instante,acertado e resolvido.

Quando Amante soube dissode alegria desmaiou,nesse dia foi um fravoe todo e povo dançoufoi banquêtes mais banquêtesbuscapé, bomba foguêtes,toda a côrte se formou.

Foi uma festa tão grandese dançando e se bebendo,com seis dias e seis noiteso povo foi enfraquecendopegou num somno damnadoacordou-se empazinado,foi um andaço tremendo.

O casamento de Amanteera daí a um mez,Baratão que estava alegrealegrou-se de uma vezpois esperava uma herançada toda aquela papança,só de casar trinta e seis.

Um capital de mil contosjá por mez ia render,estou rico desta vez—começou ele a dizer—um reinado p'ra mandarriqueza para gozar,que vidão eu hei de ter !

Chegou os dias das bôdasde Amante e Baratão,se no pedido houve festaagora sim com razãobolos finos e cerveja,em bandeja e mais bandeja,haja bomba e foguetão.

O povo já não sabiacomo havia de brincar,de beber e de comercomo havia de dançarfez-se um bougquêt para os noivos,de cravos, lírios e goivos,quando foram se casar.

Uma enorme carruagemdois mil carros enfeitados,os arreios dos cavaloseram todos prateadosas egrejas repicavame todos flôres jogavam,sobre os noivos aclamados,

Houve festa p'ra dois mezesno reinado do Sultão,tres mil contos se gastoucom Amante e Baratãofazia gosto se vertanta bebida e comer,do povo a disposição.

Saiu depois Baratãop'ra seu novo palacête,o povo todo esperoucom girandólas e foguetefoi outro frevo arrojadoonde lhe foi preparado,um rico e lauto banquete.

Baratão mais sua Amantehoje vivem calmamenteembora já bem velhinhosnão tendo mais nem um dentemas como tem um licôrque dá-lhe todo vigor,viverão eternamente.

Quem duvidar dessa historiavá na lua perguntar,só assim por este meiopode se certificarse isso foi certo ou nãoa familia de Baratão,

vive ali para provar.T.VIII

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