A uma taça feita de um craneo humano
Translated from English by Castro Alves
Espumas Flutuantes (1913)
Não recues! De mim não foi-se o espirito...Em mira verás — pobre caveira fria —Unico craneo, que ao envez dos vivos,Só derrama alegria.
Vivi! amei! bebi qual tu. Na morteArrancaram da terra os ossos meus.Não me insultes! empina-me!... que a larvaTem beijos mais sombrios do que os teus.
Mais val guardar o sumo da parreiraDo que ao verme do chão ser pasto vil;— Taça — levar dos deuses a bebida,Que o pasto do reptil.
Que este vaso, onde o espirito brilhava,Vá nos outros o espirito accender.Ai! Quando um craneo já não tem mais cerebro,Podeis de vinho o encher!
Bebe, emquanto inda é tempo! Uma outra raça,Quando tu e os teus fordes nos fossos,Póde do abraço te livrar da terra,E ebria folgando profanar teus ossos.
E por que não? Se no correr da vidaTanto mal, tanta dôr ahi repousar?É bom, fugindo á podridão do lodo,Servir na morte emfim p′ra alguma cousa!...
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