Chara minha inimiga, em cuja mão

Chara minha inimiga, em cuja mãoPoz meus contentamentos a ventura,Faltou-te a ti na terra sepultura,Porque me falte a mi consolação.

Eternamente as águas lograrãoA tua peregrina formosura:Mas em quanto me a mim a vida dura,Sempre viva em minha alma te acharão.

E se meus rudos versos podem tanto,Que possão prometter-te longa historiaDe aquelle amor tão puro e verdadeiro;

Celebrada serás sempre em meu canto:Porque em quanto no mundo houver memoria,Será a minha escriptura o teu letreiro.

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