De tão divino accento em voz humana
De tão divino accento em voz humana,De elegancias que são tão peregrinas,Sei bem que minhas obras não são dinas;Que o rudo engenho meu me desengana.
Porém da vossa penna illustre manaLicor que vence as águas Caballinas;E comvosco do Tejo as flores finasFarão inveja á cópia Mantuana.
E pois, a vós de si não sendo avaras,As filhas de Mnemosine formosaPartes dadas vos tẽe ao mundo claras;
A minha Musa, e a vossa tão famosa,Ambas se podem nelle chamar raras,A vossa de alta, a minha de invejosa.
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