Às portas do infinito

Irrompeu de repente: a água assim sai de um monte:Foi-lhe o primeiro vôo o primeiro conflito,Nas garras colossais rasgou o antigo mito,E constelou de novo a amplidão do horizonte.

De escárnios, como a um deus, laurearam-lhe a fronte:Rugiu, como um leão indômito, proscrito.E fez, de estrofes, que são mundos de oiro, a pontePor onde foi subindo aos umbrais do infinito.

De lá baixou sereno o olhar o enorme Poeta:Tinha o oceano o extertor da fera irrequieta,A terra inda insultava os deuses e os heróis!

Mas viu que, para ter chegado a tanta altura,Transformara-se tudo, ódio, inveja, amargura,Nessa áurea escadaria intérmina de sóis.

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