A calúnia

A Reinaldo Carlos

Fere a negra calúnia a fronte mais divina,Como o céu mais azul o furacão invade;E mais vezes o raio, o vento, a tempestadeAs altas construções e as montanhas fulmina;

Porém, quando passado o mau tempo, iluminaSeus frontões colossais o sol da imensidade,À rocha no alcantil, na catedral à ruínaDão-lhe à eterna grandeza a eterna majestade.

Ao fogo é que se arroja o bronze mutilado,Que ferve, flui, e lança ao molde preparadoO herói que se levanta em meio à multidão.

Para o escultor erguer a criação mais bela,Golpeia o monte, e espreme o mármore, e o modelaA pancadas de malho e a golpes de alvião...

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