A um trânsfuga

Entra o lobo voraz em nossos baluartes,E vai levando à boca as águias altaneiras:Audazes campeões desertam das fileiras,E levam força e luz aos velhos estandartes.

Tu também nos deixaste, e para sempre partes:Mas olhar para trás, ó lutador não queiras;Cegaram-te ambições de glórias passageiras...Não voltarás jamais, em que delas te fartes...

Sim, para te lavar da negra infâmia, eu penso,Que a goma Oriental, a mirra e todo o incenso,Que vem colmando e enchendo as mais variadas jarras,

Não bastará por certo, ó ave aprisionada,Que não te lembres mais do sol, e que domadaLambes a jaula de oiro, e o pó das mortas garras.

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