Aos Venâncios

Perguntaram: — Quem é? — quando ia percorrendoA descuido e sem fim qualquer sítio agradável;E respondeu um pobre eunuco detestável:— Um monstro. — E ouvi-o, sem parar, não me detendo.

Mirou-se na minh´alma o réptil, se revendoNo mais puro cristal; pareceu-lhe provávelSer o próprio cristal o verme, o miserável,O caluniador infame, a serpe se estorcendo.

E eu passava levando em mim o firmamento,O ideal do bem, o azul do dever, a harmoniaDos Édens a florir, que acaricia um vento

Vindo da exalação dos deuses: que eu podia,Dentro em nimbo estrelar, na paz do meu contento,Senão deixá-lo roer sua imunda alegria?...

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