Aos vermes
Tendes também espaço no horizonte,Vermes, que o eterno sol redoira e anima;Dou-vos asas, subi: à minha fronteQue sombra escassa e vã lançais por cima!...
Eu ato, quando quero, o vale ao monte,O Olimpo ao Céu, e o deus que a musa intima:E estrela a estrela amarro, e lanço a ponte,Em que anda o grupo harmônico da rima.
É um coche de pérola o soneto:E quando dentro dele os mundos meto,A estrofe ala-se, e canta, e canta, e o tira.
No caminho saúdam-no as Quimeras:E ao vê-lo, a um tempo, calam-se as Esferas,Aos seios de oiro atravessando a lira.
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