Cromwell

Vejo-o às vezes passar, como em sinistro drama,Como a sombra dos reis que Macbeth evoca,Esse vulto de herói, vermelho, como a chama,Mole, como o oceano, e duro, como a roca...

Sobe agora, e a cabeça estrelada o céu toca,Agora desce, e imerge em vis sapais de lama;E onde a razão a luz de auréolas derrama,O delírio o gramão dos histriões coloca.

Soldado enorme e audaz, pai cobarde e sublime;Haurindo a sorvo lento o horror do próprio crime;Mesclando ao fanatismo a força e a reflexão...

Se a Cromwell castigara o poeta florentino,Em que ciclo do Inferno o seu poder divinoAtirara este esboço... entre o colosso e o anão?...

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