Estrela cadente (Luís Delfino)
É triste sempre; — algumas vezes chora;Zêuxis em tempo viu o ideal: revelaNa forma pura esse buril de outrora,Que em si guardou todo o segredo dela.
Falta-lhe a calma. — Alado cão devoraPedaços quentes da manhã mais bela,Que em seu corpo gentil de moça alvora;Sai dele um grito de íntima procela:
Águas, nuvens põe fora, e vento e neve...E alga murcha do mar sobre um rochedo,Bate-lhe um riso branco a boca breve.
Não: o naufrágio não lhe mete medo:Mas há de alegre alguém viver, se deve,Sendo formosa assim, morrer tão cedo?!...
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