Os diabretes de D. Ana
Temporis et prisci facta referre senem...Tibullo — Elegia
Quem não teve entre os seus uma velha africana,Que embala o berço, e canta, e acarinha, e vigia?Que com histórias, que valem pérolas, granaQuimeras de oiro, e as lança em nossa fantasia?
A nossa tinha atrás do morro uma cabana,Vegetando agarrada à bronca penedia;Junto dela o moital, no moital a alegriaDe uma água que cantava ao ver chegar D. Ana.
Dizia a água a saltar: — a D. Ana já veio!...E à meia noite a velha, o rosário no seio,Feito o sinal da cruz, ia à ponte espiar.
Riam-lhe da água então grupos de diabretes,Davam pulos no ar, jogavam-lhe os barretes...Lindos!... feitos de prata, em nesgas do luar!
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