Perdão (Luís Delfino)
Quando das nuvens do meu ódio ensaio,Jove um dia, a faísca que fulmina,E às mãos juntando raio sobre raio,Agarrado de um astro em fogo à crina.
Um pouco desço da mansão divina,E no vil com crotais ardentes caio,Eu digo às chamas, que soltei: — Deixai-o:E o meu perdão a cólera domina:
E a harpa doce de Hesíodo sobraço,E os deuses canto, irmãos do poeta, e a odeFeita de luz e amor, dando alma ao espaço,
Todo meu coração, que é bom, sacode:Há, nesse instante, um leito em flor que faço,E aí, sem sustos, dormir o crime pode...
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