Segunda confirmação do Inferno
Davam-lhe os olhos vesga expressão de bandido;Basta, grisalha coma, emaranha-lhe a testa;Um riso mau, desleal, a negra boca infesta;Andam maldade, inveja, ódio em cada sentido.
Nadava em fezes ruins; e ouvia-se o estampidoIrromper-lhe da voz, que em quanto chega, cresta:— A luz é negra; o sol é mais negro, e não presta. —É da cloaca, onde habita, o fétido rugido.
Levando inda a direita o laureado poeta,Dante passando ao rés dessa lagoa infecta,Disse-lhe: — Ó infeliz, é o teu mal eterno!
Tinha no olhar Virgílio a indignação sublime:Rosnava o monstro: — Eu amo o crime pelo crime. -Dante voltou-lhe o dorso, e disse: — Estás bem no Inferno...
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