Velhice verdejante

Noventa e tantos anos ela tinha,Sem ter as nuvens dessa grande idade:Guardara a força, a chama, a mocidadeDa alma, que tanta gente perde asinha.

Viveu na paz da pérola marinha,Que ouve de longe o grito à tempestade,E foi da extensa vida à eternidadeComo quem para um certo fim caminha.

Por ser magra, mais alta parecia;Era como uma seta na estatura:— Flexível, grácil, longa, reta, esguia.

Fora, em moça, de esplêndida brancura;E o áureo casco da trança, que a cobria,Levou consigo intacto à sepultura.

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