Prótase

O que estou vendoVou descrevendo.Se de um quadradoFizer um ovoN’isso dou provasDe escriptor novo.

Sobre as abas sentado do Parnaso,Pois que subir não pude ao alto cume,Qual pobre de um Mosteiro á Portaria,De trovas fabriquei este volume.

Vasias de saber, e de prosapia,Não tractam de Ariosto ou LamartineNem recendem as doces ambrósiasDe Lamiras famoso ou Arítine.

Sam rithmas de tarello, atropelladas,Sem metro, sem cadencia e sem bitólaQue formam no papel um ziguezague,Como os passos de rengo manquitola.

Grosseiras producções d’inculta mente,Em horas de pachorra construidas;Mas filhas de um bestunto que não rendeTorpe lisonja ás almas fementidas.

Sam folhas de adurente cansanção,Remedio para os parvos d’excellencia;Que aos arrobos cedendo da loucura,Aspiram do poleiro alta eminencia.

E podem collocar-se á retaguardaOs venerandos sabios de influencia;Que o trovista respeita submisso,Honra, patria, virtude, intelligencia.

Só corta, com vontade nos malandrosQue fazem da Nação seu Monte-pio;No remisso empregado, sacripanteNo lorpa, no peralta e no vadio.

A’ frente parvalhões, heroes Quixotes,Borrachudos Barões da traficancia;Quero ao templo levar do grão SumanoEstas arcas pejadas de ignorancia

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