Anarda sangrada

É bem que desate AnardaDe tanto sangue os embargos;Sendo o sangue rio alegre,Sendo Anarda Abril galhardo.

Ensina no braço, e sangueCom branco, e purpúreo ensaio,A ser neve à mesma neve,A ser cravo ao mesmo cravo.

Se bem num, e noutro efeito,Faz Amor milagre raro;Pois a neves une rosas,Pois Dezembros une a Maios.

Se Anarda é vida de todos,E o sangue à vida comparo:Tantas vidas vai perdendo,Quantos corais vai brotando.

Pára um pouco, e como temeDe haver dado morte a tantos,Ficava presa à corrente,Ficava sem sangue o braço.

E não mata a sangue frio,Se com sangue está matando;Pois aviva mil ardores,Pois abrasa mil cuidados.

A sangue, e fogo publicaGuerra a meu peito abrasado;A sangue em corais vertidos,A fogo em olhos tiranos.

Corre o sangue, porque dizemQue está corrido, admirandoDo rosto o carmim confuso,Da boca o nácar rasgado.

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