Anarda temerosa de um raio

Bramando o Céu, o Céu resplandecendo,Belo a um tempo se via, e rigoroso,Em fugitivo ardor o Céu lustroso,Em condensada voz o Céu tremendo.

Gira de um raio o golpe, não sofrendoO capricho de ũa árvore frondoso:Que contra o brio de um subir gloriosoNunca falta de um raio o golpe horrendo.

Anarda vendo o raio desabrido,Por altiva temeu seu golpe errante,Mas logo o desengano foi sabido.

Não temas (disse eu logo) o fulminante:Que nunca ofende o raio ao Céu luzido,Que nunca teme ao raio o Sol brilhante.

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