Não sei se diga (oh bruto) que viveste

À morte felicíssima de um javalipelo tiro, que nele fez ũa infantade Portugal

Não sei se diga (oh bruto) que viveste,Ou se alcançaste morte venturosa;Pois morrendo da destra valorosa,Melhor vida na morte mereceste.

Esse tiro fatal, de que morreste,Em ti fez ũa ação generosa,Que entre o fogo da pólvora ditosaDa nobre glória o fogo recebeste.

Deves agradecer essa ferida,Quando esse tiro o coração te inflama,Pois a maior grandeza te convida:

De sorte, que te abriu do golpe a chamaUma porta perpétua para a vida,Ũa boca sonora para a fama.

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