Aos 55

Dói aos republicanos! Dói a um brasileiro,Como se a mão queimasse, viva, num brazeiro,Ter de arregimentar as tropas da IdéiaPara mandar bater com ríspidas refadasAs costas dobradiças, tísicas safadas.De quem ficava bem no alto da boléiaDe um carro de barão; mas que não dá certoPra sentar-se ou votar num parlamento aberto.

Que tempos, oh meu Deus, que tempos e que gente!Como não doera num coração ardenteQue só palpita e sente pela pátria suaEspalhar com rancor nos ângulos da ruaQue o único poder que na brazilea ferraFilho do povo é que sempre ao rei faz guerraLinfamou-se desceu e tanto de seus briosQue nega, a quem merece os justos elogios!

Mas, não! Eu não reúno as tropas do IdealQue são dignas de mais para falar em tal!...Eu reúno a canalha, ajunto as prostitutas,E mando-os insultar as vossas frontes brutasOh! Excelentes servos dos escravocratas!Mando lançar-vos já em pleno ParlamentoO que houver de mais negro e vil no sentimentoE croas de capim e pútridas batatas!

Dói muito, meus senhores a DemocraciaVer-se infamada assim à luz do meio dia!Dói ver cinqüenta e cinco livres deputados

Aos lodos do interesse tristes afastadosHoje vende-se tudo, oh tempo, tempo ignoto!Vende-se a Consciência, quando foi-se o votoVende-se a Liberdade, vende-se o pudor.Anda de braço dado o Ódio com o Amor!

Não há vida melhor, oh judas deputadosDo que essa que levais assim acorrentadosUm cão vive também ao peso da coleiraDigere, dorme, ladra: a serpe traiçoeiraOndula sobre as flores. Mas o assassinoCedo ou tarde há de vir cumprir o seu destino— Pedantes, impostores, ignorantõesAlém de preguiçosos, baixos e vilões.

Negai a liberdade ao brasileiro escravo.Que o povo sabe dá-la, o povo enorme e bravoMas não negueis a croa de uma boa açãoQue isso demonstra até nenhuma educação— Porém ficai sabendo, oh flácidos canalhas,Que o Amazonas tem o que não tereis nunca!Só não tem para dar-vos fétida espeluncaNem negro pelourinho e nem bastantes palhas!

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