Gioconda
Deu-te o grande Leonardo ao sorriso a ironia,Insídia, e eterno ardil, na luminosa teia:Tal, a Belerofonte a Quimera sorria,E a Esfinge de Gizé sorri na adusta areia...
A cilada do amor, o embuste da utopia,O desejo, que abrasa, e a esperança, que enleia,Chispam na tua boca impenetrável, fria...Seduzes, através dos séculos, sereia!
Esse leve clarão no teu lábio, indeciso,É a dobrez ancestral, a malícia primevaDa Ísis, da pecadora altriz do Paraíso:
Porque, para extrair as gerações da treva,A serpe, e a Adão, e a Deus, com o teu mesmo sorriso,Sorria, astuta e forte, a mãe das raças, Eva.
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